Normalmente faço um balanço
interior de todo o ano que esta prestes a acabar, e revejo todos ou quase todos
os acontecimentos que ocorreram e marcaram a minha vida em mais um. Os balanços
anteriores resumiam-se a uma vida rodeada de amigos na Escola de Hotelaria e
Turismo do Estoril, de avaliações, exames, saudades de três anos que já passaram
e teimam a ficar na memória. É difícil esquecer pessoas que foram especiais
durante um certo período de tempo e é impossível esquecer aquelas que continuam
a sê-lo e permanecem presentes (não fisicamente) mas no meu coração.
Tenho quase a certeza que este
ano irá ser difícil de esquecer ou pelo menos de não ser recordado com tanta
regularidade, comparo-o quase tão intenso como 2007. Mas vou mantê-lo no seu
devido e especial lugar. Quem tem a presença assídua na minha vida, sabe-o.
A vinda para Berlim foi algo
marcante, quase que posso arriscar e escrever de certa forma “chocante”. Deixar
a minha família e amigos foi algo que me “despedaçou” o coração e nos primeiros
tempos a integração em Berlim foi difícil, pensei muitas vezes em desistir por
vários motivos e muitos deles os errados, mas mesmo assim pensava-o. Existia um
leque de factores que me o faziam sentir: insegurança, medo, angustia, saudade
e até mesmo amor.
Com o inicio do curso de alemão,
algo mudou, conheci pessoas que realmente marcaram a minha vida e não consigo
deixar de lhes agradecer por toda a base que criaram na minha vida aqui em
Berlim, embora algumas delas tenham voltado para os seus países de origem,
continuam a viver dentro de mim de uma forma muito intensa.
Com o passar do tempo, criei um círculo
de pessoas que são de certa forma uma base de coragem e exemplo que tenho para
a minha vida aqui. Se me perguntaram se mudei a minha a minha personalidade ou
alguns dos ideias que tinha anteriormente a minha resposta sem dúvida que era
ser “SIM”. Não o posso esconder, que com toda a certeza que o passar por certas
situações me fez alterar a minha forma de ver certas coisas na minha vida e a
forma como lido com elas.
Foi uma mudança brusca, não digo
radical porque estava planeada, assinada e anunciada. Mas digo brusca porque
nada ou quase nada se compara a uma vida em um país como Portugal. Em todos os
aspectos.
Os momentos de saudade eram
intensos, o tempo que passava sozinho, dava por mim a pensar e a fazer balanços
de uma vida nova que começara fazia um mês, relacionar-me com novas situações
que não eram agradáveis nem saudáveis para mim, tive que mudar fui obrigado por
mim mesmo a fazê-lo para não “sentir” tanto e tentar conciliar o que é amor e o
que se define por respeito.
Durante algum tempo permaneci na
incerteza das minhas escolhas e verti lágrimas enquanto estava deitado sozinho
na minha cama, em que a noite lá fora estava viva e tinha quem não se
lembra-se que eu estava á sua espera.
Aprendi que nada é eterno e que promessas
podem ser quebradas de um dia para o outro, que o mundo lá fora pode ser cruel
e que nem sempre ganhamos batalhas e que por vezes temos que admitir que
perdemos.
Aprendi que pessoas não mudam e
que a única forma de as contornar e adequar-nos a elas é respeitar-nos a nós
mesmos, vivermos a nossa vida em função dos nossos objectivos e deixar-mos de
nos preocupar com “o que poderá acontecer…” ou “e se fosse assim…”
Um amigo meu sempre me disse que
a vida não é feita de “ses” mas sim de “sim” e “não”.
Para o próximo ano não quero desilusões
ou viver em função de certezas que não foram certezas, quero simplesmente viver
cada dia, deixar-me levar por todo este sentimento de vontade, força e
esperança que tenho para o meu futuro, acreditando que grandes e boas coisas
irão acontecer.
O mesmo desejo a todos os meus
amigos e família, que sem dúvida foram e são a base para o inicio de uma nova
vida.
Não tenho palavras para agradecer
a todos aqueles que sempre estiveram ao meu lado e mesmo que a milhares de quilómetros
aqueceram o mesmo coração nos momentos mais frios.
Com amor,
Filipe
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