sábado, 31 de dezembro de 2011

2011


Normalmente faço um balanço interior de todo o ano que esta prestes a acabar, e revejo todos ou quase todos os acontecimentos que ocorreram e marcaram a minha vida em mais um. Os balanços anteriores resumiam-se a uma vida rodeada de amigos na Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril, de avaliações, exames, saudades de três anos que já passaram e teimam a ficar na memória. É difícil esquecer pessoas que foram especiais durante um certo período de tempo e é impossível esquecer aquelas que continuam a sê-lo e permanecem presentes (não fisicamente) mas no meu coração.
Tenho quase a certeza que este ano irá ser difícil de esquecer ou pelo menos de não ser recordado com tanta regularidade, comparo-o quase tão intenso como 2007. Mas vou mantê-lo no seu devido e especial lugar. Quem tem a presença assídua na minha vida, sabe-o.
A vinda para Berlim foi algo marcante, quase que posso arriscar e escrever de certa forma “chocante”. Deixar a minha família e amigos foi algo que me “despedaçou” o coração e nos primeiros tempos a integração em Berlim foi difícil, pensei muitas vezes em desistir por vários motivos e muitos deles os errados, mas mesmo assim pensava-o. Existia um leque de factores que me o faziam sentir: insegurança, medo, angustia, saudade e até mesmo amor.
Com o inicio do curso de alemão, algo mudou, conheci pessoas que realmente marcaram a minha vida e não consigo deixar de lhes agradecer por toda a base que criaram na minha vida aqui em Berlim, embora algumas delas tenham voltado para os seus países de origem, continuam a viver dentro de mim de uma forma muito intensa.
Com o passar do tempo, criei um círculo de pessoas que são de certa forma uma base de coragem e exemplo que tenho para a minha vida aqui. Se me perguntaram se mudei a minha a minha personalidade ou alguns dos ideias que tinha anteriormente a minha resposta sem dúvida que era ser “SIM”. Não o posso esconder, que com toda a certeza que o passar por certas situações me fez alterar a minha forma de ver certas coisas na minha vida e a forma como lido com elas.
Foi uma mudança brusca, não digo radical porque estava planeada, assinada e anunciada. Mas digo brusca porque nada ou quase nada se compara a uma vida em um país como Portugal. Em todos os aspectos.
Os momentos de saudade eram intensos, o tempo que passava sozinho, dava por mim a pensar e a fazer balanços de uma vida nova que começara fazia um mês, relacionar-me com novas situações que não eram agradáveis nem saudáveis para mim, tive que mudar fui obrigado por mim mesmo a fazê-lo para não “sentir” tanto e tentar conciliar o que é amor e o que se define por respeito.
Durante algum tempo permaneci na incerteza das minhas escolhas e verti lágrimas enquanto estava deitado sozinho na minha cama, em que a noite lá fora estava viva e tinha quem não se lembra-se que eu estava á sua espera.
Aprendi que nada é eterno e que promessas podem ser quebradas de um dia para o outro, que o mundo lá fora pode ser cruel e que nem sempre ganhamos batalhas e que por vezes temos que admitir que perdemos.
Aprendi que pessoas não mudam e que a única forma de as contornar e adequar-nos a elas é respeitar-nos a nós mesmos, vivermos a nossa vida em função dos nossos objectivos e deixar-mos de nos preocupar com “o que poderá acontecer…” ou “e se fosse assim…
Um amigo meu sempre me disse que a vida não é feita de “ses” mas sim de “sim” e “não”.
Para o próximo ano não quero desilusões ou viver em função de certezas que não foram certezas, quero simplesmente viver cada dia, deixar-me levar por todo este sentimento de vontade, força e esperança que tenho para o meu futuro, acreditando que grandes e boas coisas irão acontecer.
O mesmo desejo a todos os meus amigos e família, que sem dúvida foram e são a base para o inicio de uma nova vida.
Não tenho palavras para agradecer a todos aqueles que sempre estiveram ao meu lado e mesmo que a milhares de quilómetros aqueceram o mesmo coração nos momentos mais frios.

Com amor,
Filipe

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